Afirmação III: Eu defendo que ser professor é promover uma educação comprometida com a democracia e com a justiça social

Tarefa de IPP selecionada
Tarefa 8. Projeto: “Na minha escola, cabe um mundo” (IPP-III)
O projeto “Na minha escola, cabe um mundo” foi desenvolvido no âmbito da unidade curricular de Iniciação à Prática Profissional III sobre a temática da interculturalidade. Esta foi sugerida pelos orientadores cooperantes, enquanto necessidade reconhecida do contexto educativo, pautado por uma crescente diversidade cultural. Através do projeto, procurou-se, por um lado, promover uma cultura de participação e de inclusão de todos os alunos e, por outro, que cada aluno participante sentisse a sua identidade cultural reconhecida e celebrada. Ainda que o projeto se tenha centrado no tema da interculturalidade, este representa uma das dimensões da educação democrática e da justiça social. Contudo, entendo que representa uma das suas formas de expressão mais relevantes da atualidade, já que implica o reconhecimento da diversidade, a promoção da participação e a valorização de todos os alunos e a sua formação para a criação e a manutenção de uma sociedade democrática e justa. Acredito, por isso, que compete ao professor participar ativamente na edificação de uma educação escolar orientada para a democracia e para a justiça social.
Fundamentação Teórica
Reflexão sobre a Afirmação III
As sociedades encontram-se em permanente transformação, pelo que se espera que as instituições apresentem capacidade de adaptação para as acompanhar. Tal como Patacho refere, o sistema educativo constitui um exemplo dessa dinâmica, através da implementação de reformas que procuram dar resposta às novas exigências sociais. Neste quadro, os professores são apontados como as figuras que devem liderar estes movimentos, sendo-lhes atribuído o papel de promotores dos valores da democracia e da justiça social. Assim, os professores emergem como agentes da transformação social, conscientes de que a ação educativa ultrapassa a mera transmissão de conhecimentos e que só o ensino crítico conduz à formação de cidadãos ativos, conscientes e participativos na construção de uma sociedade democrática e socialmente justa.
Entendo que, para contribuir para essa educação, tanto a escola quanto o professor precisam de realizar um movimento de dentro para fora. Antes de promoverem estes valores junto dos alunos, importa que analisem os seus próprios mecanismos, valores e compromissos éticos, reconhecendo que estes influenciam as suas práticas educativas. Autores como Villeges e Lucas identificam as competências do professor necessárias à construção de uma educação comprometida com a democracia e com a justiça social, destacando-se competências que remetem à esfera pessoal, como ser socialmente consciente e deter uma visão positiva da diversidade, para além da consciência do impacto da sua abordagem profissional, nomeadamente na forma como concebe o aluno e como planeia a sua intervenção. Assim, entendo que o professor surge simultaneamente como aprendiz e mediador: aprendiz, pois necessita de refletir sistematicamente sobre o seu próprio posicionamento relativamente a estes valores para, posteriormente, os enquadrar na sua prática, mediando a sua relação com os alunos, ao criar oportunidades de exercer o pensamento crítico e autónomo.
Encaro o compromisso com a democracia e com a justiça social como uma dimensão ética da identidade docente, que assume a responsabilidade de contribuir para a formação de cidadãos capazes de partilhar e agir em função destes mesmo valores, não pela uniformização, mas pelo desenvolvimento do seu sentido crítico, como Nussbaum também defende. É neste conceito de docência que se manifesta o gene ético do ADN profissional.