Afirmação I: Eu defendo que ser professor é produzir conhecimento, e não apenas reproduzi-lo, articulando a experiência, os dados e a ciência para compreender e transformar a ação educativa

Tarefas de IPP selecionadas
Tarefa 3.4. Creche: Plano de observação e observação direta
Tarefa 3.5. Creche: Organizar e equipar um ambiente físico para crianças até aos 3 anos (IPP-I)
Através desta tarefa, foi possível observar as rotinas e os horários da Sala Amarela, recorrer aos indicadores do PQA (Program Quality Assessment) e de protocolos de observação naturalista para recolher e analisar informação e, a partir dos dados recolhidos, realizar análises críticas sobre as práticas da creche. Selecionei esta tarefa porque considero que, a par das reflexões individuais, foi a primeira que me aproximou do conceito de professor-investigador, pela observação sistemática e intencional do contexto e das suas dinâmicas, pela recolha de dados e pela reflexão crítica sustentada e articulada entre os diferentes momentos de observação. Assim, esta tarefa demonstrou a importância de observar, recolher informação e refletir sobre o que observou como uma forma válida e fundamental de intervenção do educador/professor.
Tarefa 2.4. Reflexão final (IPP-IV)
Selecionei a reflexão final individual da unidade curricular de IPP-IV, uma vez que implicou um exercício reflexivo agregador de todas as unidades curriculares de Iniciação à Prática Profissional. Da tarefa, destaco a seguinte passagem: “A reflexão e a prática são dimensões indissociáveis do meu processo de formação no âmbito da IPP-IV, uma vez que muitos dos conhecimentos teóricos adquiridos ao longo da licenciatura ganharam significado através da prática. (…) Esta articulação entre a teoria e a prática, assentes numa lógica reflexiva, aproximou-me da ideia do educador/professor-investigador. Acredito que este não se deve limitar a aplicar conhecimentos, mas a observar, questionar e investigar a sua própria prática.”.
Fundamentação Teórica
Reflexão sobre a Afirmação I
As diversas perspetivas apresentadas na fundamentação teórica demonstram que o conceito de professor-investigador é polissémico. Ainda que a todas reconheça pertinência, identifico-me, sobretudo, com aquela que concebe o professor como produtor de conhecimento profissional. A este propósito, destaco o trabalho de Cochran-Smith e Lytle, citados por Figueiredo, bem como de Nóvoa e Vieira, pois as suas perspetivas parecem-me relevantes por romperem com a ideia de que o conhecimento em educação só é válido se for produzido nas instituições do ensino superior.
Esta esfera da profissão não ocorre de forma espontânea, na medida em que, como refere Alarcão, ser professor-investigador implica a aquisição de competências-base, desde o questionamento e a observação, à metodologia e à partilha e comunicação de resultados. Ainda que me identifique com esta perspetiva, reconheço os desafios que lhe são inerentes. Se se pretende que os professores investiguem a sua prática de forma sistemática, então essa dimensão não pode depender da iniciativa individual, implicando a reconfiguração do trabalho desenvolvido pelo professor, através da criação de condições que permitam encarar verdadeiramente a investigação enquanto dimensão da profissão, para não correr o risco de que a conceção do professor-investigador seja meramente teórica.
Assim, para além da iniciativa dos profissionais, considero que deveria ser necessário que as políticas educativas e os normativos referentes ao perfil docente reconhecessem a investigação como atividade inerente ao exercício da docência. Acredito também que a investigação deve refletir-se na forma como a profissão é valorizada, pois não só lhe confere uma responsabilidade acrescida e representa (mais) um desafio, como implica repensar o estatuto e o desenvolvimento da carreira docente, em que esta se reforça como profissão intelectual em estreito compromisso com o desenvolvimento da educação.
Por este motivo, considerei pertinente concluir a fundamentação teórica com a perspetiva de Perrenoud, por entender que a sua visão do professor-investigador permite aproximar as minhas três afirmações, que, ainda que abarquem esferas diferentes – epistemologia, interpretação crítica e ética – encontram-se ancoradas na noção de reflexão da prática educativa. É nesta conceção de professor-investigador que reconheço o desenvolvimento do gene epistemológico como elemento fundamental e estrutural do ADN profissional do professor.