Afirmação II

Afirmação II: Eu defendo que ser professor é construir a sua profissionalidade através da interpelação crítica e da contextualização das políticas educativas e das orientações curriculares

Tarefas de IPP selecionadas

Tarefa 1. Relatório nas dimensões da administração, organização e gestão curriculares da escola (IPP-II) 

A tarefa 1, referente ao portefólio de Iniciação à Prática Profissional II, pretendeu refletir os aspetos de administração, organização e gestão curricular da escola na qual se realizou o estágio de observação, nas suas dimensões pessoais, materiais e funcionais, através da análise e articulação entre os instrumentos de gestão curricular. A análise incidiu sobre documentos como o Projeto Educativo do Agrupamento do Escolas, o Projeto Curricular de Turma, o Plano Anual de Atividades e o Regulamento Interno.

A realização desta tarefa contribuiu para que eu consolidasse a minha posição de que o professor deve ler criticamente a legislação e documentos orientadores da ação educativa, problematizando-os no contexto da prática. De facto, o objetivo da tarefa não se prendia com uma análise descritiva dos documentos, implicando uma análise crítica e reflexiva à forma como o seu conteúdo se operacionalizava na prática.

Tarefa 4. Texto Reflexivo Individual (IPP-II)

Da tarefa 4 do portefólio de IPP-IV, destaco a seguinte passagem: “O processo de ensino-aprendizagem ganhava forma quando o professor problematiza, sistematizava, debatia, incentivava e fornecia ferramentas. No cuidado que colocava na seleção de diferentes materiais, recursos e formas de trabalhar que satisfizessem não só as necessidades dos alunos, mas que fossem ao encontro dos documentos orientadores da prática educativa. Uma das práticas que mais me surpreendeu, e que está em linha com os pressupostos da autonomia e flexibilidade curricular, foi o tempo de estudo autónomo cedido ao aluno em sala de aula. Este trabalho não representava apenas a possibilidade de o aluno estudar durante a aula mas, mais do que isso, de refletir sobre as suas dificuldades, incentivando o a organizar e gerir os seus métodos de trabalho e, por isso, responsabilizando-o do seu próprio processo de aprendizagem e desenvolvimento.”.

Fundamentação Teórica

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Reflexão sobre a Afirmação II

A ação docente não pode ser entendida como um processo de aplicação linear de orientações legais e curriculares. Ainda que reconheça a sua importância, entendo que a legislação e os documentos curriculares não esgotam nem determinam, só por si, a prática educativa. Assim, a legislação e os referenciais curriculares constituem um espaço comum de princípios, finalidades e orientações, que enquadram a ação educativa, mas este enquadramento não isenta os professores da necessidade de uma interpretação crítica desses referenciais. Como sustentado pelos autores, o papel do professor é claro: ler, interpretar e adaptar essa interpretação à realidade em que intervém.

Entendo que a legislação e os documentos curriculares não podem ser encarados como prescrições a cumprir de forma acrítica, mas antes como um espaço comum de onde se parte para uma construção pedagógica personalizada. É neste espaço que se pode afirmar a profissionalidade docente, como afirmado por Roldão, e no qual reconheço a importância da agência curricular do professor. Encaro esta agência não como a possibilidade de agir à margem das políticas educativas ou das orientações curriculares, mas como a capacidade de as interpretar, recontextualizar e concretizar de forma fundamentada, em função das especificidades dos alunos, da escola e da comunidade educativa. Se os professores se limitassem a aplicar normas e orientações curriculares, a sua função ver-se-ia reduzida a uma esfera executora e desprovida de autonomia profissional e do exercício da capacidade crítica.

Ser professor implica, desta forma, interpretar, questionar e decidir de forma sustentada e responsável para que ultrapasse a execução de prescrições normativas. É na atribuição de significado às políticas educativas e ao currículo, através dos processos de interpretação e de recontextualização, que reconheço a segunda dimensão da identidade profissional dos professores. É nesta capacidade de interpretar e contextualizar as políticas educativas e as orientações curriculares que encontro a expressão do gene crítico-político.